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Esportes Olímpicos Entrevista

Entrevista: Igor Queiroz fala sobre a preparação para o Pan de Wrestling e muito mais

O jovem atleta é uma das grandes promessas do esporte brasileiro

18/04/2022 às 17h14 Atualizada em 19/04/2022 às 18h12
Por: DANILO GEORGETE
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Divulgação/United World Wrestling
Divulgação/United World Wrestling

Um jovem atleta, fã de Ayrton Senna, com garra e determinação presente em seus olhos quando pisa no tatame e que não desiste até o último segundo de luta. Ele tem o sonho de levar alegria ao povo brasileiro e é uma das principais promessas do esporte nacional. 

Aos 20 anos, Igor Queiroz já teve conquistas de gente grande, mesmo ainda estando em início de carreira já acumula muita experiência e feitos históricos. Em 2018 disputou os Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires, no ano passado foi para as Olimpíadas de Tóquio como sparring para auxiliar a equipe nos treinamentos; e também em 2021 fez história ao ganhar a medalha de ouro no Jogos Pan-americanos Junior, em Cali.

Com a vitória em Cali ele se garantiu na disputa do Pan de Santiago 2023, agora se prepara com a seleção principal de wrestling para a disputa do Pan da modalidade em maio no México.

Confira abaixo a entrevista que fizemos com ele.

 

Igor, como está a preparação para o Pan-americano de Wrestling?

R: Estamos treinando aqui no Cefan, no Rio de Janeiro, aqui temos toda a estrutura de fisioterapeuta, centro médico à disposição. A preparação da equipe toda de greco-romana está aqui. inclusive trouxeram alguns atletas da base para nos auxiliarem nos treinamentos. Esse ano o foco é neste momento no pan da modalidade, mas já pensando também no Pan-americano de Santiago em 2023 e consequentemente na vaga olímpica para Paris 2024.

 

O wrestling vem crescendo no Brasil cada vez mais, o que você acha disso? 

R: Eu sou apaixonado pela modalidade e estou muito feliz pelos resultados que estamos conquistando na modalidade. Referente a outras potências nós ainda somos crianças, porém olhar o cenário e ver que estamos desbancando atletas de países que tem 100 anos de luta é muito bacana. Nós somos brasileiros e qualquer esporte de luta que nos derem um tempinho para aprender nós vamos ter notoriedade. Estou feliz com o crescimento do wrestling no Brasil, temos muito a crescer, e espero que um dia se torne um esporte de referência no nosso país.

 

Eu sei que você já fez um intercâmbio de treinos em Cuba, que é potência na modalidade, como isso agregou ao seu estilo de luta? 

R: Sim, eu estive em Cuba em 2020 e foi um marco pra mim realmente, eu pude enxergar uma outra realidade. Por mais que aqui no Brasil sofremos com falta de incentivo, talvez o mundo inteiro sofra com esse problema, mas em Cuba pude ver como os grandes campeões da modalidade vivem e não digo que eles estão contente com aquilo, muito pelo contrário, mas eles realmente dão a vida ali no tatame, em busca de um futuro melhor, até mesmo para conseguir sair do país. Mas eles estão sempre sorrindo e se doando o máximo. 

Então eu trouxe isso pra mim, pra minha realidade, depois que eu voltei pra cá em 2020 eu mudei totalmente, tanto psicologicamente quanto o meu estilo de luta. Comecei a dar mais valor ao pouco que nós temos aqui também e realmente aflorou essa garra e raça mais ainda dentro de mim. 

Cuba foi um marco pra mim, sempre que luto com algum cubano é um prazer, até pelo fato do nosso estilo de luta ser cubano, desde o início da modalidade os principais treinadores nossos são cubanos. O meu treinador é o Angel Torres, ele é cubano e está comigo desde que eu subi pro profissional.

 

E qual a importância desses intercâmbios para vocês atletas?

R: É de extrema importância esses intercâmbios fora do país, porque nós temos pouco tempo de luta no Brasil, então temos que estar sempre buscando o conhecimento. Estar com o pé no chão para ir buscando um pouco de cada um, para num futuro sermos exemplos para virem até a gente também. 

 

Nos Jogos Pan-americanos Junior você venceu a luta no finalzinho se aproveitando da distração do adversário. Isso é um exemplo do seu foco total em todo o momento da luta, como foi a sensação dessa vitória incrível?

R: Os Jogos Pan-americanos foram um marco na minha carreira, o modo que aconteceu o combate, tinha que acontecer exatamente daquela maneira. Se observar no primeiro round eu marquei dois pontos que o árbitro interpretou de outra forma e não deu o ponto. No segundo round estava empatado em um a um e o meu adversário cubano iria ganhar pois tinha marcado o último ponto. 

Eu sabia que teria que buscar até os últimos segundos, já estava com essa estratégia desde quando sai de casa, pois meu treinador me alertou que isso poderia acontecer. Se analisar meu penúltimo ataque ali, a submersão, eu ajoelho, já olho o placar e olho pra ele buscando mais um ataque e vejo ele ali um pouco longe, já querendo ir comemorar, ai eu corri até ele e só dei continuidade no que já estava planejado. 

A experiência foi única de lutar um Pan-americano, vencer daquela maneira, aquele combate era pra ser nosso (do Brasil), mas era pra ser dessa maneira como aconteceu. Muita gente precisa de uma motivação para continuar a fazer algo e teve muitas pessoas que vieram me falar que eu servi de motivação para elas, então eu fico feliz com isso e enxergo que tem o propósito de Deus para todas as coisas.

 

Você já está classificado para os Jogos Pan-americanos de Santiago ano que vem, já tem ideia de como será sua preparação até o campeonato? 

R: A preparação já começou, disputamos duas competições fora do país neste ano e acredito que ainda vamos viajar mais. Estou almejando ir para o Mundial sub-23 esse ano, conquistar uma medalha que não temos ainda no greco-romano. 

 

E uma última pergunta, quem são seus ídolos no esporte?

R: Engraçado que quando era pequeno muitos dos meus ídolos se tornaram meus amigos hoje, mas tem um que não pude conhecer obviamente que é o Ayrton Senna. Por mais que eu seja de 2001, muito novo ainda, eu sempre assisti documentários sobre ele, tem um pouco da influência do meu pai também, mas eu me simpatizo muito pois ele foi o cara que trouxe alegria para o povo brasileiro enquanto a gente só tinha motivo para chorar. Eu quero fazer o mesmo, levar alegria para o povo brasileiro.

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