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As maiores rivalidades da Fórmula 1

Venha conferir quais foram aqueles confrontos que pegaram fogo na maior categoria do automobilismo mundial

13/11/2021 às 10h21
Por: Eduardo Souza
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Foto: PASCAL PAVANI / AFP
Foto: PASCAL PAVANI / AFP

No embalo do final de semana do GP de São Paulo, nós decidimos reviver um pouco da história do mundo do circo fantástico da Fórmula 1 e trazer as 5 maiores rivalidades que achei que existiram na categoria e ainda de brinde uma bônus que tá rolando nessa temporada. Vem com a gente relembrar um pouquinho de história. É bom deixar claro que as rivalidades não estão listadas em ordem de grandeza.

Niki Lauda x James Hunt

Uma das rivalidades mais incríveis da fórmula 1 e cheia de enredos. Tantos, que virou até filme. Aos cineastas de plantão, o filme Rush (2013) traz um pouco do que foi a rivalidade entre estes dois pilotos. De um lado o americano James Hunt, tratado por alguns como o “último piloto romântico” da fórmula 1, e do outro o metódico gênio austríaco Niki Lauda.

O ápice dela ocorreu em 1976, quando Lauda, atual campeão e favorito ao título, liderava o campeonato com folga até o Grande Prêmio da Alemanha, em Nurburgring, quando sofreu um dos acidentes mais graves da história da fórmula 1.

O austríaco bateu sua Ferrari e ficou preso dentro do carro em chamas. O acidente lhe resultou uma cicatriz que marcaria seu rosto para sempre, mas que ficou de bom tamanho para quem teve até um padre chamado para lhe conceder a extrema unção.

Com o acidente, Lauda ficou fora de dois grandes prêmios e não teve um bom rendimento nas três corridas seguintes. A decisão do título ficou para a última corrida do ano, no Grande Prêmio do Japão, quando o austríaco liderava por três pontos.

Chovia muito no dia da corrida e a visibilidade era péssima dentro dos carros. Por segurança, Lauda decide abandonar e o título ficaria apenas a um quarto lugar de distância das mãos de James Hunt. O americano chegou em terceiro e arrematou seu único título na história da fórmula 1.

A rivalidade ainda teria mais um capítulo em 1977, mas não tão emocionante como em 76. Hunt teve muitos abandonos na temporada (oito no total) e terminou apenas em quinto lugar na temporada. Mesmo tendo o mesmo número de vitórias que Lauda no final (três para cada um), a consistência da Ferrari nas demais corridas do ano levou o bicampeonato para as mãos do austríaco.

Nelson Piquet x Nigel Mansell

Talvez a primeira grande rivalidade entre pilotos da mesma equipe. O brasileiro Nelson Piquet chegava a Williams em 86 com status de super astro, pois já era bicampeão. Restou ao britânico Nigel Mansell o lugar de segundo piloto dentro da equipe, ainda mais vindo de um mero sexto lugar na temporada de 85.

No entanto, o britânico nunca aceitou o status de segundo piloto e fez questão de mostrar na pista que brigaria de igual para igual com o brasileiro.

Em 86 a briga interna, tanto nos paddocks como na pista, tiraram os títulos das mãos da Williams. O francês Alain Prost aproveitou os diversos abandonos e acidentes dos rivais e ficou com o título no final da temporada.

Em 87 a história foi um pouco diferente, as Williams eram muito superiores aos demais carros e a disputa do título se manteve entre os dois companheiros até o final da temporada. E neste caso, dois fatores pesaram para o lado do brasileiro: o psicológico e o acerto do carro.

Enquanto Piquet era um mecânico nato, Mansell não tinha o menor entendimento sobre o acerto do carro. Além disso, Piquet era muito provocativo e sempre deixava o britânico desestabilizado mentalmente.

Mesmo com o acidente em Imola na segunda corrida da temporada (que tirou a visão de profundidade do brasileiro) e com apenas três vitórias contra seis de Mansell, Piquet administrou melhor a pontuação durante a temporada e saiu campeão em 87.

Mansell alcançou seu primeiro, e único título, apenas em 1992, quando voltaria a Williams após duas temporadas ruins pela Ferrari. Piquet se aposentou um ano antes, em 1991.

Ayrton Senna x Alain Prost 

Entre estas, a história mais recheada de capítulos. Senna e Prost é considerada por muitos, e por mim, a maior rivalidade que existiu na fórmula 1, até hoje.

O primeiro destes inúmeros capítulos começa em 1984 no GP de Mônaco. A disputa do título seria até o final da temporada entre os dois pilotos da McLaren: Alain Prost e Niki Lauda. Chovia muito e as condições de corrida eram péssimas, mas ali surgiu uma das lendas brasileiras com seu grande talento sob a chuva. Ayrton Senna foi escalando o grid, posição a posição com a limitadíssima Toleman.

Prost, que sempre teve dificuldades sob a chuva, pedia freneticamente o fim da corrida, e foi atendido. Com grande pressão do então presidente da FIA (e também francês) Jean-Marie Balestre, a corrida foi encerrada assim que Senna supostamente ultrapassaria o francês. Como não havia sido concluído mais de ¾ da prova, a corrida valeu apenas metade dos pontos. Mal sabia Prost que falta fariam eles fariam, já que ao final da temporada ficou atrás do campeão Niki Lauda por apenas um ponto.

O próximo capítulo dessa rivalidade se inicia em 88, quando Senna é contratado pela McLaren para ser o companheiro de Prost. Os ingredientes que faltavam para uma grande rivalidade foram adicionados: os melhores pilotos com os melhores carros disputando o título corrida a corrida.

A primeira temporada até que foi tranquila. Dentro do possível, ainda havia uma certa camaradagem entre os dois na disputa. Na última corrida do ano, Senna sofre uma pane na largada e cai para 14º. O título parecia nas mãos de Prost, mas o brasileiro tirou de tudo que podia do carro, ultrapassou Prost e venceu seu primeiro título. 

Em 89 o clima piorou, a McLaren chegou inclusive a definir um trato entre os dois pilotos, que impediria ultrapassagens na primeira volta para evitar acidentes. No entanto, no GP de San Marino houve uma relargada durante a corrida. No entendimento de Senna, a regra não se aplicava para relargadas. O brasileiro ultrapassou Prost e venceu a corrida. E o caldo azedou de vez.

Entre idas e vindas durante a temporada, o título se resumiu a penúltima corrida no GP do Japão. Senna precisava vencer para levar a decisão para a última corrida. O brasileiro fez a pole, mas largou do lado sujo da pista e perdeu a primeira posição para Prost na largada.

Após voltas de perseguição, Senna finalmente teve a chance de ultrapassar o francês, que fechou a porta e bateu no carro do companheiro de equipe. Com os dois fora, Prost seria tricampeão. Senna não desiste, volta a pista pela área de escape, troca o bico danificado e vence a corrida. Prost foi reclamar e mais uma vez a “camaradagem” francesa venceu. Ainda presidente da FIA, Balestre desclassificou o brasileiro e deu o título a Prost.

Em 1990 a rivalidade se manteve, mas desta vez em equipes diferentes, com Prost na Ferrari. Uma temporada recheada de embate entre os dois se resumiu novamente ao GP do Japão. Mas desta vez, o beneficiado seria Senna no caso de um acidente entre os dois.

Mais uma vez pole position, mais uma vez largando no lado sujo da pista. Senna perdeu a liderança logo na largada e não pensou duas vezes em retribuir o favor ao francês. Bateu na primeira curva, tirou Prost da corrida e se sagrou bicampeão.

Em 1991 Prost não foi protagonista. O duelo do brasileiro pelo título desta vez foi com Nigel Mansell na poderosa Williams. A Ferrari do francês não teve o mesmo rendimento do ano anterior e Prost acabaria a temporada apenas em quinto lugar.

Após um ano sabático, o francês retornaria a fórmula 1 em 93 para a Williams e uma das cláusulas de seu contrato era que não queria ter Senna como companheiro de equipe. O carro de Prost era muito superior aos demais, e mesmo com Ayrton tirando o máximo de sua McLaren, o francês foi campeão com 24 pontos de vantagem. Com o tetracampeonato, Prost anunciou sua aposentadoria e Ayrton viria a falar em 94.

Michael Schumacher x Mika Hakkinen

O primeiro heptacampeão da história não poderia ficar fora desta lista. O alemão Michael Schumacher já era bicampeão e brigava desde 96 para colocar a Ferrari novamente no caminho da vitória. O impeditivo? O finlandês Mika Hakkinen.

O primeiro “homem de gelo” da fórmula 1 trouxe a McLaren novamente ao lugar mais alto do pódio e levou os títulos de 98 e 99. 

Foi só em 2000, cinco anos depois do bicampeonato, que Schumacher finalmente venceu o finlandês, e a partir daí não teve para mais ninguém.  O alemão enfileirou mais quatro títulos seguidos e Hakkinen se aposentou relativamente cedo da fórmula 1, logo em 2001.

Lewis Hamilton x Nico Rosberg

Mais uma grande rivalidade entre pilotos da mesma equipe. Lewis Hamilton e Nico Rosberg eram amigos de infância desde a época de kart e se encontram novamente na Mercedes.

O alemão estava na equipe desde 2010, enquanto Hamilton chegou em 2013. O clima tranquilo entre os companheiros se manteve em 2013, pois o carro da Mercedes não era dos mais competitivos.

De 2014 a 2016 os dois brigaram corrida a corrida pelo título. Em meio a elas, diversos acidentes entre os dois que quase custaram o título de construtores a equipe, o que levou a Mercedes a controlar os duelos entre os dois dentro das pistas, já que de amigos os pilotos passaram nem mais a falar um com o outro e quase chegaram as vias de fato.

O britânico saiu vencedor nos dois primeiros anos, enquanto em 2016 Rosberg finalmente ficou com o título e prontamente declarou sua aposentadoria, o que acabou encerrando a rivalidade um pouco mais cedo.

Rivalidade Bônus

Lewis Hamilton x Max Verstappen

De brinde, um pequeno adendo sobre a rivalidade que impera na fórmula 1 na atualidade. O holandês Max Verstappen tenta desbancar o heptacampeão Lewis Hamilton. Na atual temporada, o holandês finalmente teve em suas mãos um carro capaz de brigar pelo título de bater de frente com a Mercedes do inglês e quebrar a hegemonia da equipe alemã.

Duelo que começou tranquilo, já resultou em alguns acidentes entre os dois na temporada. O clima que era tranquilo no início do ano não é mais o mesmo. Os dois já não se cumprimentam mais e a troca de farpas vem rolando solta durante as coletivas.

Nos resta aguardar os próximos capítulos desta rivalidade e descobrir qual a proporção que ela irá atingir.

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