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Tóquio 2020 Opinião

O topo do Olimpo pertence às mulheres

Tóquio 2020 é a edição mais marcada pela representatividade feminina

05/08/2021 17h44
Por: NATALIA CONCENTINO
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Pois é, as Olimpíadas nem acabaram ainda, mas posso garantir que as mulheres roubaram a cena, principalmente para nós, que fomos muito bem representados pelas atletas brasileiras. Se na Grécia Antiga (berço das Olimpíadas), a mulher dificilmente conseguiria esse destaque, ou melhor, estaria apenas exercendo a função de ser mãe e cuidar da família, hoje a situação é bem diferente. Os deuses gregos que nos perdoem, ou não, mas o topo do Olimpo está ficando cada vez mais feminino.

 

Rebeca Andrade conquistou o coração dos brasileiros ao fazer história, sendo a primeira ginasta mulher a conquistar não só uma, como duas medalhas representando o Brasil, e ainda apresentar uma simplicidade e alegria contagiantes durante suas entrevistas. Rebeca ganhou um ouro e uma prata e ainda citou várias vezes a importância de se fazer terapia quando conversava com a imprensa. Aliás, a saúde mental dos atletas de alto nível também passou a ser discutida por conta de uma mulher, Simone Biles, que mostrou ao mundo que todos somos humanos e, apesar de parecer uma máquina de ganhar medalhas, reconheceu suas fraquezas e abriu mão de participar de algumas finais para cuidar de si mesma.

 

Nos mares nós também conhecemos a força da mulher brasileira. Martine Grael e Kahena Kunze se tornaram bi-campeãs olímpicas na vela (um esporte não muito comum, mas que costuma nos trazer alegria nas Olimpíadas). Fora isso, Ana Marcela Cunha tirou o nosso fôlego ao nadar os 10km da maratona aquática com muita personalidade e garantindo o ouro com quase um corpo de diferença para a segunda colocada. Ana Marcela venceu as águas de Tóquio e a si mesma, conquistando a sua primeira medalha olímpica depois de “bater na trave” nas outras edições.

 

Com o skate, percebemos que a chamada rivalidade feminina não está mais em alta (enfim!). As atletas deram um show de simpatia e companheirismo ao vibrarem e incentivarem suas adversárias - e aqui falamos de uma forma geral, não só das brasileiras. Afinal, quem não se encantou com o sorriso e a alegria de Margielyn Didal, a representante das Filipinas no Street? Sem falar na amizade das brasileiras, com um destaque especial para Letícia Bufoni e Rayssa Leal, uma dupla formada por ídolo e “fã” que agora possuem uma admiração mútua. Além disso, não dá para passar em branco a medalha de prata da Fadinha, uma jovem com apenas 13 anos e que se diverte muito com o que faz.

 

Por fim, vou citar mais uma brasileira que nos enche de orgulho: Mayra Aguiar. A judoca já conquistou medalha em três edições de Olimpíadas, um feito e tanto. Ela volta de Tóquio com mais um bronze para a sua coleção e nos transmite a sensação de dever cumprido.

 

Não sei vocês, mas eu poderia escrever ainda mais linhas sobre o desempenho e o exemplo das mulheres que foram participar dessa competição. E enaltecer as mulheres nada tem a ver com rebaixar o feito dos homens, é só mostrar que estamos fazendo aquilo que queremos (aos trancos e barrancos), o que parecia impossível até o início do século passado. Se para você isso ainda parece pouco, saiba que para essas atletas já é muito.

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