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Dez anos de acomodação

O Grande Prêmio da Bélgica, realizado no último domingo (30) evidenciou um problema que não foi evidenciado por muitos, ou que as pessoas não incomodam, o que acaba criando um conceito já marcado na Fórmula 1, como se não fosse possível mais sair fugir de um modo sem DRS.

04/09/2020 10h06
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Por: Redação
Dez anos de acomodação

O Grande Prêmio da Bélgica, realizado no último domingo (30) evidenciou um problema que não foi evidenciado por muitos, ou que as pessoas não incomodam, o que acaba criando um conceito já marcado na Fórmula 1, como se não fosse possível mais sair fugir de um modo sem DRS.

Você até pode ler e falar, “mas Gabriel, o DRS é tão essencial para as ultrapassagens, imagina quem conseguiria passar alguém com esta falta de equilíbrio entre os carros” e por ai vai. Só que uma coisa que sempre foi uma característica da categoria não existe mais: a briga insana pelas posições. Em Spa, vimos Verstappen e Ricciardo em uma disputa tão saborosa, sem o dispositivo, que fez até criar a expectativa de termos a briga entre os dois novamente, o que obviamente, e infelizmente, não aconteceu. 

O que acontece ao longe desta década é um piloto chegar na traseira do outro, apertar um botão e ir embora, sem qualquer emoção, sem qualquer disputa. É só você parar para pensar: qual ultrapassagem ou briga por posição tivemos nestes últimos dez anos que nos marcaram? Muitos se lembrarão do Bahrein 2014, entre Rosberg e Hamilton. E o resto? São muitos poucos exemplos. Já no passado, a gente tem exemplo de duelos que são memoráveis mesmo sem ultrapassagem, como Alonso x Schumacher em Ímola, no ano de 2005.

O DRS é tão ruim para a Fórmula 1 que até desvaloriza pilotos que tiveram performances boas em disputas e acabaram sendo vencidos, literalmente, na última volta. Foi o caso de Albon contra Ocon e Grosjean contra Leclerc no último final de semana em Spa, que resistiram bravamente com condições e carros inferiores e foram ultrapassados no mesmo ponto da volta derradeira. Até mesmo a ousadia é desvalorizada, como foi o caso do tailandês contra Hamilton na Áustria, que foi “inexperiente” por “não esperar a zona de DRS para ultrapassar”, como se fazer algo fora do normal fosse algo absurdo.

Talvez o atributo em si não seja condenável, mas sim a maneira como a Fórmula 1 trabalha ele, disponibilizando-o em qualquer situação que o piloto estiver menos de um segundo atrás do outro e em trechos diferentes da pista pode abrir asa e ir embora. Até mesmo aqui no Brasil, na nossa Stock Car, temos o exemplo do botão de ultrapassagem, que tem um número limitado para cada piloto e os mais votados recebem um “fan push”, que disponibiliza extras do artificio aos eleitos pelo público.

Eu odeio saudosismo, odeio quem fica “na época do Senna” e aquele papo todo chato. Porém, o DRS traz esse sentimento com relação as ultrapassagens. Até porque trocar de posições é uma coisa, ultrapassar é outra. 


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